Bahia, 22 de Outubro de 2026
Por: Poder 360
22/10/2026 - 09:17:21

O número de empresas inadimplentes no Brasil chegou a 9,3 milhões em agosto de 2026, alta de 14,3% em relação ao mesmo
mês de 2025, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. 

No período, foram registradas 68,2 milhões de  dívidas, que somaram R$ 244,4 bilhões.
Em média, cada empresa inadimplente tinha 7,4 contas negativadas, com dívida média de R$ 26.355,13 por CNPJ e valor médio de R$ 3.583,96 por dívida.

As micro e pequenas empresas concentravam 8,8 milhões de CNPJs negativados em agosto.
O grupo acumulava 61,4 milhões de dívidas, que somavam R$ 211 bilhões.
Em média, cada micro ou pequena empresa tinha 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.902,98 e valor médio de R$ 3.435,34 por débito.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, esses negócios têm menor capacidade de absorver choques e precisam administrar simultaneamente custos operacionais, capital de giro e um ambiente econômico de crescimento mais lento.

A economista afirma que a recuperação financeira dessas empresas exige uma reorganização mais ampla do caixa, além de
planejamento e gestão financeira.

SOCORRO PARA MEIS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta 4ª feira (21.out.2026), a lei que cria o Prospera MEI. O pacote de medidas inclui perdão de dívidas, renegociação de débitos bancários, transferência de até R$ 5.000 aos microempreendedores individuais e aumento do limite anual de faturamento. Deve custar R$ 16,7 bilhões aos pagadores de
impostos.

Para melhorar o endividamento das microempresas, o governo anunciou:

Perdão de dívidas;
Compra de dívidas bancárias;
Pix MEI, com auxílio de até R$ 5.000;
Aumento do teto do MEI;
Dispensa de nota fiscal;
Fomento produtivo de R$ 5 bilhões;
Desenrola 3.0: modalidade de renegociação voltada aos MEIs para reduzir dívidas com bancos privados.

O pacote foi lançado a poucos dias do 2º turno da eleição, que será no domingo (25.out.2026).

JUROS E CRÉDITO

Para Camila Abdelmalack, a redução da taxa básica de juros ainda não foi suficiente para melhorar as condições financeiras das empresas. O Banco Central cortou a Selic de 15% para 13,75% ao ano desde o início de 2026.

Embora a alta anual da inadimplência tenha desacelerado de 28,7% para 14,3%, o indicador permanece em 2 dígitos.

Segundo a economista, o crédito continua caro e o caixa das empresas segue pressionado, especialmente entre os negócios de menor porte.

A demanda das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses. No mesmo período, as concessões de capital de giro de curto prazo 113,9%.
Segundo Abdelmalack, o movimento indica que as empresas têm recorrido ao crédito para sustentar a liquidez e manter as operações, e não necessariamente para reduzir o endividamento ou expandir os negócios.

SETOR DAS EMPRESAS INADIMPLENTES

O setor de serviços concentrava 56% das empresas inadimplentes em agosto. Na sequência, aparecem:

comércio: 32%;
indústria: 8% e
setor primário: 0,9%.

Outros segmentos respondiam por 3,1% do total.
Em relação à origem das dívidas, o setor de serviços também liderava, com 31,7% dos 68,2 milhões de débitos negativados. Bancos e cartões representavam 19,7%, seguidos por cooperativas (8,5%), utilities (6,7%) e telefonia (6,2%).

As instituições financeiras, considerando bancos, cartões e financeiras, concentravam 24,4% das pendências. Os demais setores respondiam por 75,6%.
Segundo a Serasa Experian, a distribuição mostra que as dívidas empresariais estão espalhadas entre diferentes tipos de credores, o que aumenta a complexidade da gestão do fluxo de caixa, especialmente para empresas que acumulam diversas pendências.

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL

São Paulo liderava em agosto o número de empresas inadimplentes, com 3,17 milhões de CNPJs. Minas Gerais aparece em seguida, com 927,4 mil. Logo depois está o Rio de Janeiro, com 879,9 mil.
Na sequência, vêm Paraná, com 613 mil empresas inadimplentes, e Rio Grande do Sul, com 539,3 mil.

 

 

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