
Parece que, depois da pandemia da Covid-19, até a morte perdeu espaço na agenda das pessoas.
Os velórios estão cada vez mais vazios. Familiares, amigos e conhecidos já não permanecem por tanto tempo ao lado de quem partiu. Há casos em que o morto passa praticamente o dia inteiro sendo velado por meia dúzia de pessoas, enquanto a vida segue normalmente do lado de fora.
Será que estamos ficando indiferentes até diante da morte?
Antigamente, velar um conhecido, um amigo ou alguém da comunidade era quase uma obrigação de respeito e solidariedade. As pessoas faziam questão de passar pelo velório, dar um abraço na família e permanecer alguns minutos ao lado do caixão.
Hoje, parece que até o último adeus está sendo deixado para depois.
Se esse comportamento continuar, talvez os velórios do futuro sejam apenas um ritual rápido: chega, olha, cumprimenta a família e vai embora.
E assim, pouco a pouco, teremos não apenas defuntos solitários, mas também uma sociedade cada vez mais distante dos seus próprios sentimentos.
A morte, pelo menos, ainda deveria merecer alguns minutos de presença.