
O governador Jerônimo Rodrigues tem o dever imediato de exonerar o titular da Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia e cobrar explicações firmes de seu aliado político Geddel Vieira Lima, diante de um dos episódios mais graves do sistema prisional baiano nos últimos anos. Provocando prejuízos enormes para a população de Eunápolis, da Costa de Descobrimento e principalmente para o Estado.
Indicado pelo Movimento Democrático Brasileiro, que tem como figura central na Bahia Lúcio Vieira Lima — irmão de Geddel —, o secretário José Castro enfrenta um cenário crítico após a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, registrada em 13 de dezembro de 2024.
O caso, que já repercute nacionalmente, deixou de ser apenas uma falha de segurança para se transformar em um escândalo de possíveis conexões políticas e criminais dentro da estrutura penitenciária do estado.
De acordo com informações atribuídas ao Ministério Público, a facilitação da fuga, mesmo após uma ação armada, teria sido orquestrada com participação direta da então diretora da unidade, Joneuma Neres. As investigações apontam ainda a ligação com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, descrito como peça de articulação política e com trânsito entre diferentes esferas de poder.
Uldurico, vale lembrar, ocupou cargo relevante no governo Jerônimo Rodrigues, ao assumir, em fevereiro de 2023, uma diretoria na Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bahia.
O enredo se torna ainda mais delicado ao atingir o núcleo político do MDB na Bahia.
Segundo relatos surgidos no âmbito de acordo de colaboração com o Ministério Público da Bahia, a ex-diretora Joneuma detalhou encontros, movimentações financeiras e supostos pagamentos envolvendo figuras externas ao sistema prisional. Entre as citações mais graves, aparece o nome de Geddel Vieira Lima, apontado como possível beneficiário de valores e tratado como “chefe” dentro da narrativa apresentada.
Geddel, por sua vez, reagiu publicamente, negando qualquer envolvimento. Em entrevista, classificou tanto Uldurico quanto a ex-diretora como “malandros e irresponsáveis” e refutou qualquer participação em tratativas ilícitas ou contato relacionado ao caso.
Apesar das negativas, o impacto político é inevitável.
O nome de Geddel volta ao centro do noticiário nacional, reacendendo questionamentos sobre influência política, indicações estratégicas e o grau de controle do governo sobre áreas sensíveis como o sistema penitenciário.
Diante da gravidade dos fatos, a permanência do atual secretário da pasta se torna insustentável.
Não se trata apenas de responsabilização individual, mas de um gesto necessário para preservar a credibilidade do governo e demonstrar que não há tolerância com falhas estruturais, muito menos com suspeitas de interferência política em ambientes que exigem rigor absoluto.
O governador Jerônimo Rodrigues precisa agir com firmeza.
Exonerar o secretário, determinar apuração rigorosa e, sobretudo, exigir esclarecimentos públicos de aliados citados no caso não é apenas uma opção política — é uma obrigação institucional.
A sociedade baiana acompanha atenta.
E cobra respostas à altura da gravidade do escândalo.
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Geddel refuta envolvimento
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Governador deve agir