Bahia, 11 de Janeiro de 2026
Por: exame.com
11/01/2026 - 07:20:41

Se você teve a impressão de que as corridas por aplicativo ficaram mais caras em 2025, os dados do IPCA confirmam: o aumento foi de 56,08% em apenas um ano, a maior variação anual já registrada para esse serviço.

Em alguns casos, como em capitais de maior demanda, o salto foi próximo a 70%.

Segundo economistas consultados pela EXAME, o avanço foi impulsionado por uma combinação de fatores: da entrada da tarifa dinâmica na metodologia do IBGE à alta nos custos operacionais dos motoristas, passando ainda por uma mudança na estratégia das plataformas, que buscam maior sustentabilidade financeira após anos de crescimento baseado em subsídios.

“O preço vem subindo já há alguns anos”, afirma Andréa Angelo, estrategista-chefe da Warren Investimentos. “Em 2021, teve um pico de 33% de alta. Em 2024, já havia subido 10%. Agora, 56%”, diz.
Para ela, a inclusão da tarifa dinâmica no cálculo do IPCA é um dos principais fatores que explicam a maior volatilidade do indicador.

“Existem eventos nas cidades, principalmente em São Paulo, que fazem as tarifas chegarem a 70%, como chuvas fortes ou a própria falta de oferta de motoristas”, diz Andréa. “Além disso, quando o item 'táxi' sobe, os aplicativos acabam ajustando suas tarifas também.” Demanda em alta e mudança no modelo de precificação Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, destaca que o aumento também tem relação com o aquecimento do mercado de trabalho e dos serviços, o que elevou a demanda por corridas.

“As plataformas têm políticas próprias de precificação, mas o aumento da demanda é certamente uma variável relevante”, afirma.

A política de tarifa dinâmica, segundo ela, também responde diretamente a esse movimento. “Em São Paulo, por exemplo, há mais demanda do que em outras capitais. E o preço dos combustíveis varia entre estados por conta do ICMS, o que pesa na composição final da tarifa”, diz Veronese.

Segundo as plataformas, os preços aumentam quando há muitas solicitações de viagem e não há carros suficientes para atender à demanda.

Custos, recomposição de ganhos e ajuste de margens

Leonardo Leão, CEO da Brave, consultoria especializada em gestão financeira e análise econômica aplicada, reforça que o reajuste é resultado de fatores estruturais.
Do lado dos custos, ele cita o aumento no preço dos combustíveis, manutenção dos veículos, seguros, taxas das plataformas e custo de capital. “Além disso, os motoristas passaram por um período de compressão de ganhos. A recomposição da renda
exigiu reajustes nas tarifas para manter a oferta ativa”, diz.

Do lado das plataformas, também houve mudança. “Depois de anos subsidiando corridas, as empresas passaram a buscar maior sustentabilidade financeira, repassando parte dos custos ao consumidor”, afirma.
Diferenças entre cidades: da regulação ao trânsito A forte variação entre capitais também tem explicações locais. De acordo com Leão, fatores como escassez de motoristas, trânsito mais pesado e maior tempo de deslocamento pesam na conta.
O custo do veículo (como seguro e desgaste), exigências regulatórias e o perfil de demanda também contribuem.

“O transporte por aplicativo é altamente sensível à realidade econômica e operacional de cada cidade. Por isso, o índice nacional é apenas uma média. Em cidades com maior pressão de custos e picos concentrados de demanda, a tarifa pode disparar muito mais”, afirma.

O que dizem as plataformas

Em nota, a Amobitec — associação que representa empresas como Uber e 99 — disse que os preços das corridas são influenciados por fatores como tempo, distância, demanda local e estratégias comerciais. As plataformas, segundo a entidade, buscam equilibrar os interesses de usuários e motoristas parceiros.

AAmobitec também questiona a metodologia usada pelo IBGE.

“Não há informações disponíveis sobre quantas e quais empresas são consideradas na pesquisa, tampouco a participação de cada uma no cálculo”, diz o comunicado enviado à EXAME.
Ainda assim, a associação afirma que o impacto do subitem transporte por aplicativo no IPCA foi de apenas 0,13 ponto percentual em 2025, menor do que itens como energia residencial (0,48 p.p.) e plano de saúde (0,26 p.p.).

 

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