
Os trabalhadores da Veracel Celulose, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Eunápolis, deflagraram greve após a empresa se negar a renovar o Acordo Coletivo de Turnos que vinha regulando a jornada de trabalho dos últimos quatro anos. A paralisação ocorre após ampla rejeição, em assembleia, da proposta apresentada pela empresa.
Historicamente, a Veracel adotava a escala 4 por 2, considerada pelos empregados como a mais equilibrada, permitindo períodos adequados de descanso e melhor convivência familiar. Entretanto, há aproximadamente quatro anos, a empresa solicitou a implementação experimental de uma nova escala: 6-1, 6-3, 6-2, que amplia substancialmente o número de dias trabalhados antes do descanso.
Para viabilizar a mudança, foi firmado um Acordo Coletivo de Trabalho, no qual a Veracel se comprometeu a pagar uma indenização compensatória aos trabalhadores. O acordo foi votado e aprovado pela categoria, que aceitou testar a nova jornada mediante a bonificação. Dois anos depois, com o fim da vigência, a empresa apresentou novamente a proposta — também com indenização — e novamente houve aprovação em assembleia.
O impasse atual se formou quando, no último mês, o acordo venceu e a empresa decidiu não renovar a compensação financeira nem retornar à escala anterior, mais benéfica aos empregados. A Veracel ofereceu exclusivamente a continuidade da escala 6-1, 6-3, 6-2, porém sem qualquer bonificação, o que motivou forte reação entre os trabalhadores.
A proposta foi rejeitada por ampla maioria dos votantes, e, em sequência, os trabalhadores aprovaram o estado de greve, seguindo todos os requisitos legais antes da paralisação definitiva.
O advogado da categoria, Dr. Jorge da Silveira, afirma que o movimento é legítimo e busca preservar a saúde e a dignidade dos trabalhadores:
“Os empregados aceitaram a escala pesada durante quatro anos porque havia compensação e porque acreditaram na boa-fé da empresa. Agora, sem acordo, sem indenização e sem a possibilidade de retorno à escala 4 por 2, não restou alternativa senão a greve. A categoria está unida em defesa de um direito essencial: uma jornada justa, saudável e humanizada.”
Segundo o sindicato, o objetivo central do movimento paredista é assegurar o retorno à escala 4 por 2, considerada a única capaz de garantir condições de trabalho dignas aos empregados do setor de turno.
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